quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Olá a todos!!
Faz hoje oito dias que chegámos a esta terra maravilhosa, mas na verdade parece que já cá estamos há uma eternidade. Não porque o tempo passe devagar (bem pelo contrário!), mas porque nos sentimos tão bem aqui que parece que já pertencemos a este lugar há muito tempo!
O que mais nos tem impressionado, pela positiva, são as pessoas, e não nos cansamos de o dizer. Quanto menos têm, mais felizes são e dão tudo o que podem e o que não podem. É um calor humano, uma alegria e paz que não tem explicação!


Nestes dias temos contactado com as associações/instituições e grupos, principalmente da paróquia, onde estamos a projetar as atividades que vamos desenvolver. No domingo fomos a duas Eucaristias, na igreja de Chã d’Alecrim e na igreja Nª Srª da Luz, onde fomos apresentados à comunidade. No fim de cada missa, as pessoas abordavam-nos de uma forma muito familiar e intensa, a desejarem-nos as boas vindas, a dizerem que gostam muito de Portugal e a convidarem-nos para ir as suas casas. É fantástico!


A tarde conhecemos a grande tradição de S.Vicente nas vésperas de Carnaval: o Mendinga. É uma espécie de “desfile” pelas ruas da cidade (por desfile entenda-se “arrastão”!) com batuques e dança com espírito Carnavalesco, onde as pessoas se pintam com óleo queimado.


 Ontem fomos com o grupo de jovens da paróquia visitar a Cadeia de Mindelo, onde fazem um encontro todas as terças-feiras. À noite, o dia terminou com a festa de encerramento de uma Formação que andamos a frequentar dirigida por um padre brasileiro, que tem como tema “Ressurreição de Jesus, caminho para a nova Evangelização”. No fim da formação, dançámos, comemos, e divertimo-nos muito com a comunidade. Eles gostam muito de dançar e festejar, onde há música, há alegria contagiante!


Hoje de manhã fomos para o Jardim Escola Bom Pastor, pois ficou combinado lá irmos duas vezes por semana dar catequese às crianças. Uma vez que na próxima sexta-feira dia 31/Jan é dia de S. João Bosco (pai da Congregação Salesiana, muito presente aqui no Mindelo). Preparámos um pequeno teatro de fantoches em cartão para as crianças sobre a vida deste santo e depois ainda sobrou tempo para brincarmos (ou tentar, porque somos totalmente “atropelados” com abraços!).


Até breve!

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Primeiras impressões

Finalmente arranjámos internet, ainda que fraca (é o que se arranja).
Depois de tantas horas de viagem e de transbordos (5h de espera em Marrocos e 7h no aeroporto de Praia – ilha de Santiago), chegámos finalmente a S.Vicente na quarta-feira, dia 22. Por sinal, dia da Ilha e do seu patrono: S. Vicente. Estamos alojados no centro paroquial, Centro Bom Pastor, da paróquia de Nª Sra. da Luz.


Fomos muito bem recebidos por toda a comunidade! À tarde houve Eucaristia na paróquia de S. Vicente (a outra paróquia existente na ilha) que foi celebrada na futura igreja paroquial, ainda em obras. É incrível ver a quantidade de gente presente nestas festividades. Ainda estávamos no primeiro dia e já nos apercebemos da Força da Fé deste povo! Foi uma festa muito muito bonita!


Ontem fomos com o Frei Silvino (Franciscano Capuchinho no Mindelo) conhecer os dois centros sociais juvenis que a congregação tem para acolher os jovens das duas zonas mais desfavorecidas da cidade. Nestes centros, as crianças têm explicações e apoio escolar e atividades para os manter ocupados e longe dos “maus caminhos”. Não é um trabalho fácil, mas tem tido muito sucesso nos últimos anos, pois a criminalidade juvenil tem diminuído muito nestas zonas.



Hoje tivemos oportunidade de visitar o Jardim de Infância do Bom Pastor (aqui da paróquia) que recebe as crianças mais desfavorecidas, pois vamos desenvolver várias atividades com elas e também formações com as monitoras. Foram momentos fantásticos pois as crianças, mesmo sem nos conhecerem, agarravam-se a nós e todas nos queriam cumprimentar. Encheram-nos o coração!!



Nestes primeiros dias estamos a conhecer a comunidade e a realidade em que vivem e vamos agora começar a fazer o projeto de atividades a desenvolver. Estamos muito entusiasmados! Em breve damos notícias sobre os bens que mais necessitam por cá, para que aí possam fazer uma recolha e ver se é possível enviar para cá!

Até Breve



terça-feira, 21 de janeiro de 2014

De Partida

"Eis-me aqui, eu irei Senhor
Eis-me aqui, eu irei Senhor
Envia-me a mim que disponível estou
E levarei Tua glória às nações"

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Prólogo



“Deus quer, o Homem sonha e a obra nasce”. Assim começa um dos poemas mais famosos de Fernando Pessoa e da mesma forma começou este nosso projeto de missão. Deus quis, nós sonhamos e a obra em breve nascerá.

A vontade de partir como voluntários despontou muito antes de nos conhecermos.
A Joana sempre ambicionou estagiar durante o curso de enfermagem num país tropical. Ainda no secundário, foi aluna de EMRC e voluntária no clube de voluntariado da disciplina, a “Missão Servir”. Aí, aprendeu a preocupar-se e a dar-se mais aos outros e participou em várias campanhas solidárias.
Quanto ao Paulo, o gosto pelo serviço ao próximo e querer participar numa missão humanitária, brotou dos ensinamentos adquiridos no Escutismo, onde "Sempre Alerta para Servir" é a divisa máxima.
Ao descobrimos que partilhávamos este sentimento, decidimos torná-lo realidade quando olhámos para o futuro (muito provável desemprego após a licenciatura) vimos neste cenário uma oportunidade.
Sabíamos que seria difícil integrarmos uma associação que fizesse voluntariado internacional, devido ao facto de estarmos a estudar longe e não termos disponibilidade de participar nas preparações que estas exigem. Assim, começámos a contactar várias pessoas das nossas paróquias e surgiu uma primeira oportunidade numa terra no interior de Angola. Aqui estávamos a 20 de Janeiro de 2013. Contudo, o caminho que nos era reservado estava longe do que imaginávamos (mesmo longe!), por isso surgiu o primeiro não.
Passado algum tempo, nova oportunidade surge para uma terra no litoral de Angola: Benguela. Os nove meses que se seguiam, mais uma vez, não seriam como esperados. No início, foram muitos os contactos e tudo parecia encaminhado, por isso começámos a arregaçar as mangas e por mãos à obra, uma vez que as despesas de deslocação seriam suportadas por nós. Desde tomar conta de crianças, lavar carros, apanhar pêra, trabalhar numa banca de sumos e doces e um part-time numa loja e numa empresa de mudanças, o verão passou a correr e Setembro era a data prevista de partida. Contudo, a burocracia exigida não estava a facilitar (mais uma vez..) e foi-nos negado o visto por falta de documentos (digamos que a tensão política entre Portugal e Angola não ajudava ao caso). A viagem já tinha sido comprada e fomos forçados a adiar por mais um mês, até reunir todos os papéis que teriam que vir de Angola… mas depois de uma viagem não muito barata, vacinas e medicamentos, o dinheiro estava a esgotar-se. Então, quando se aproximou a segunda data, ainda não tínhamos todos os documentos (como era esperado) e tivemos mesmo que cancelar a viagem (cada adiamento saía caro), até porque não estava certo quando nos iriam emitir os papéis de Angola. Ainda não era desta.
Sabíamos que Deus tinha um projeto para nós, mas como somos humanos, a primeira reação a estes acontecimentos foi revolta, desilusão e muita tristeza por lutarmos tanto e não chegarmos a lado nenhum. Mas Deus sabia que este não era o nosso caminho (é humano pensar que bem nos podia ter poupado uns euritos!..) e por isso, como tínhamos uma viagem congelada decidimos tentar uma vez mais (esta era a última, prometíamos a nós mesmos). E à terceira é de vez! Como conhecíamos o Pe. Rui Pedro e sabíamos que já esteve em muitos países em serviço, por ser um missionário scalabriniano, contámos a nossa história com o intuito de talvez nos ajudar. Este fez alguns contactos mas as respostas não chegavam (a paciência foi um dos maiores desafios para nós). No entanto, um mês e meio depois, inesperadamente (sim, já tínhamos decidido seguir com a nossa vida para a frente e começar a enviar currículos) veio o SIM a 3 de Janeiro de 2014.
Ilhas de S. Vicente, Santo Antão e (talvez) Sal. Cabo Verde abriu-nos os braços e, em quinze dias, tratámos dos vistos e viagens. Por sinal, porque nada é por acaso, partimos a 21 de Janeiro, precisamente um ano depois de tudo começar. Afinal, Deus tem mesmo um projeto para nós, e quando decidimos que queremos que os nossos planos sejam os d’Ele, o barco ruma para bom porto.

"Sejam revolucionários. Tenham a coragem de nadar contra a corrente. (…) Não tenham medo daquilo que Deus vos pede. Digam “sim". Nele está a verdadeira alegria!" Papa Francisco, JMJ Brasil 2013